ACONTECEU COMIGO: Alô polícia, eu tô usando

Antes mesmo de sabermos escrever nossos nomes, já fazíamos em grupo a coreografia de ‘Não se reprima’. Roy e Ricky cantavam freneticamente disputando a preferência do toca discos apenas com o pato, a foca e a coruja que habitavam a ‘Arca de Noé’. Mais tarde, decoramos o alfabeto, lembrando que a era amor, bê, baixinho e cê, coração. Se você fora um bebê Johnson’s, agora provavelmente transformara-se numa potencial paquita (existia paquito?). Mas de qualquer forma, como não havia garantias de mandar um beijo pro seu pai, outro para a sua mãe e mais um ‘para você’, tratou de decorar o primeiro telefone da sua vida – 236-0873 -, na eterna esperança do número chamar e você ganhar uma Caloi.

Se alguém da sua classe tivesse muitas canetas coloridas no estojo, certamente seriam importadas. Esta palavra, antes da China-mania, exercia verdadeiro fascínio aos olhos infantis. No mundo importado habitavam a Hello Kitty, os adesivos com glitter, o videocassete com controle remoto e o microondas. Os meninos, que desde sempre foram vidrados em carros, sabiam de cor e salteado as cinco marcas que existiam no mercado à época e conversavam sobre o assunto no recreio, enquanto as meninas batiam papéis de carta.

Quando os pais saiam sábado à noite, era o momento de ficar acordada até tarde assistindo Viva a Noite, viva, viva e cantando a onda da galinha azul. Mas bom mesmo era faltar na escola, encostando a parte de mercúrio do termômetro no abajour. Com sorte, ‘A Coisa’  ou ‘Os Goonies’ passariam pela primeira vez na televisão.

Você era muito moderna de calça semi baggy, Keds, cabelos para o lado e topete. Jogava pogobol à tarde e já podia frequentar matinês das baladas. Alguns meninos poderiam sussurrar ao seu ouvido “meu amigo quer ficar com você” ao som de Dance Music e passos para lá e para cá. E sabia dançar muito bem, afinal, não perdia um bailinho da escola e raramente ficava com a vassoura, enquanto o dj tocava Like a Virgin e Calcinha Exocet.

Se é meu contemporâneo, gravava músicas do rádio na fita cassete, teve walk-man, tamagoshi, decorou como conseguir mais moedas no Super Mario Bros, vibrou com o 486 e muito mais tarde, o início da parte liberal e independente da sua vida teve como pano de fundo cinco inseparáveis amigos de Manhattan.

Podem chamar os anos oitenta de bregas e os noventa de ‘quase tanto quanto’. Mas foram tempos incríveis. E nós saímos praticamente ilesos.

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