INSPIRAÇÃO: Ilustrando sonhos

(Por: Nurit Masijah Gil)

A Cathe é uma daquelas pessoas com quem a gente gostaria de sentar para tomar um café sempre que a rotina é invadida por um ciclo maluco-sufocante-estressante. Calma e com a voz suave, após algumas horas de conversa, a sensação é de leveza pura.
Não é por menos: ela incorporou em sua vida a idéia de reconhecer, respeitar e ir atrás de seus anseios. Hoje, na coluna INSPIRAÇÃO, a ilustradora de livros infantis Catherine Engelman de León.

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(Fonte: arquivo pessoal)

Quando cursava artes visuais, Cathe foi mais uma malabarista da vida real. Vivendo numa casa em um município afastado de Porto Alegre – onde reside até hoje – ela dividia-se entre a faculdade, o trabalho como professora de artes, dois filhos pequenos e o lar-doce-lar. Conhece a história, né?

Até que engravidou do terceiro filho (hoje eles tem 22, 19 e 15 anos) e decidiu que era hora de abandonar a logística maluca para realizar o sonho de ser mãe em tempo integral. Cuidou do caçula, acompanhou a rotina dos mais velhos e, paralelamente, pintava sob encomenda painéis para festas infantis. Foi feliz para sempre por muitos anos.
Mas como para sempre, sempre acaba, Cathe cansou de “desenhar os desenhos alheios”. A pulga atrás da orelha começou a coçar. Viciada em literatura desde criança e com paixão pelo mundo petit , pensou em ilustrar livros infantis. Suas crianças já estavam crescidas, mas os painéis ainda ocupavam um tempo precioso do seu dia-a-dia. Foi necessária uma motivação enorme para trocar o certo pelo incerto e, aos 35 anos, ir atrás do sonho. Com a amiga Gisele, do blog Kids Indoors, participou de cursos de literatura infantil, de palestras diversas, da Feira do Livro de Porto Alegre, conheceu pessoas da área e não parou mais.

Cathe, como foi essa mudança?
Para mim sempre foi importante estar atenta ao que a minha alma pede. Às vezes traçamos um plano e esperamos que ele nos preencha para sempre, mas ele pode mudar. E tudo bem. Daí entra a importância da percepção e da coragem para sair da zona de conforto e desviar a rota, pois é impossível nos realizarmos com algo que não nos satisfaz mais. É como um casamento que se desgastou, mas neste caso, um casamento consigo mesmo. Esquecer o “se eu tivesse feito, teria sido feliz” e efetivamente tentar. Agora, é importante ter os pés no chão para saber que a mudança não é imediata, mas um processo.

Como é a sua rotina?
Meu dia começa com um café da manhã com meu marido. Um café longo, cheio de conversas, observando a natureza do entorno (os dois filhos mais velhos de Cathe já saíram de casa). Eu preciso deste momento. Só então sento em minha mesa e inicio o trabalho. Na hora do almoço, faço questão de cozinhar para mim e minha família (filha de confeiteiros, estou sempre na cozinha). Durante à tarde, dependendo da demanda, continuo o processo criativo ou sigo para os compromissos da rotina.

Cite alguns prós e contras e da vida atual e da anterior à mudança
Uma das vantagens da vida atual é poder trabalhar no que – neste momento – me realiza. Cada projeto é uma nova imersão criativa. Outro ponto bastante positivo é poder acompanhar de perto a rotina dos meus filhos.
Mas, trabalhar ‘para si’ também tem desvantagens. É preciso muita disciplina e nos meus trabalhos anteriores, eu tinha maior facilidade em cumprir as metas sem stress. E claro, sempre há o receio de ficar sem projetos e parar no tempo, apesar de que, nestes intervalos, os artistas aproveitam para focar em trabalhos autorais que estavam engavetados.

Como é seu processo criativo?

(Fonte: arquivo pessoal)

(Fonte: arquivo pessoal)

Recebo o texto e, por atuar com editoras menores, tenho a oportunidade de trabalhar diretamente com o escritor. É um processo muito rico, pois ouço a história diretamente de quem a criou. Neste momento, já suscito algumas imagens. Então, guardo numa gaveta e dou mais um tempo para que elas surjam. Somente após este prazo, começo a “jogar” no texto detalhes que me chamem a atenção e é deste processo que nasce o projeto com esquete. Neste momento, volto a trabalhar com o autor para aprovar estas idéias iniciais e dar continuidade à criação.

Entre os livros que Cathe ilustrou estão A Fábula da Arca de Noé, de Cacau Mourão e Labirinto de Léia Cassol, além de ser autora do livro Pepe e de três contos da coleção Assombros Juvenis.

Ah, e faltou um “detalhe” importante: ela está grávida do quarto filho. Cathe tem calma e voz suave, mas sua determinação é forte quando o assunto é realizar sonhos.

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(Fonte: arquivo pessoal)

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