ACONTECEU COMIGO: Life is…

Sou Lennon-maníaca, por mais pop que isso possa parecer.
Passei minha adolescência ao som dos Beatles, com pôsteres de décadas anteriores à minha na parede e achando que Imagine era a obra-prima da indústria musical. Minha referência ideológica passava certamente por John e a Yoko protestando na cama por uma semana, pura utopia de paz e amor.
Daí eu cresci, casei, mudei, paguei contas, tive filhos e a vida passou a ser mais pragmática. De Imagine, hoje, curto apenas a melodia e uma semana na cama, passou a ser utopia de férias incríveis.
Mas ainda tem uma estrofe que me emociona, daquelas que a gente canta bem alto, por pura admiração: “Life is what happens to you while you are busy making other plans”. De fato. A vida é o que acontece enquanto estamos ocupados traçando outros planos.
Tocante. Eu almoço pensando que o queijo ralado acabou e só irei ao supermercado depois de amanhã. Olho as crianças correndo pelo jardim lembrando que é tempo de adubar os hibiscos. Falo ao telefone rascunhando possibilidades na agenda da semana e assisto televisão pensando na morte da bezerra, da vaca e da égua. Sempre fazendo outros planos.
E a vida passa assim.
Seria tocante continuar o texto com promessas de uma nova vida e frases prontas do tipo ‘respire fundo, sinta a brisa e use protetor solar’, mas não. Simplesmente vou admitir que o privilégio de viver com a cabeça livre, leve e solta é para uns poucos sortudos. Assim como filhos que dormem a noite inteira antes de completar seis meses e irmãos que jamais gritaram ‘nunca mais fala comigo na sua vida’ um para o outro. A gente escuta um caso aqui, outro lá. Inclusive, ontem soube de um amigo do primo da minha cunhada que tem um bebê que é um anjo: mama, dorme e brinca sozinho por mais de vinte minutos.
Mas a vida real, minha e das pessoas que conheço – de carne e osso – é cheia de atropelos. De felicidade entremeada por ansiedade. Satisfação e correria. Alegria e loucura.
Eu sou Lennon-maníaca, mas fico com a beleza dos seus versos e uma taça de vinho toda noite. Para relaxar a cabeça de tantos pensamentos que não respeitam ordem cronológica. E me redimo: nunca passei uma semana cama e meus filhos só dormiram a noite inteira depois dos seis meses. Entre outras peculiaridades da vida real.

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