CRÔNICA: Te amo. Livre. Escancarada. E feminina

Salários equivalentes. Mesmas oportunidades de trabalho. Divisão de tarefas em casa. Tudo abertamente falado aos quatro ventos na luta pela igualdade entre gêneros. Mas um detalhe fica latente, esperando a hora de ser desengasgado, seja numa discussão de relação ou em alguma roda femina: quem foi – raios – que definiu como verdade absoluta o homem poligâmico por natureza e a mulher, plácida, hormonalmente programada para ser fiel até que a morte separe?
Bem, crédulos, preciso informar que esse dogma é mentira deslavada, fato exclusivo dos momentos de paixão avassaladora e do puerpério, fase em que somos, na realidade, assexuadas. Mas o estrago está feito: enquanto o homem que trai está apenas seguindo seus instintos, a mulher vira instantaneamente uma vadia-prostituta-desnaturada.
Eu levanto a bandeira desta igualdade. Fidelidade é uma escolha – feminina e masculina. Rotina, às vezes, faz parte da vida – feminina e masculina. E encontrar soluções é uma parceria – feminina e masculina.
Início atípico para uma carta de amor. Mas esta é uma. Aberta. Feminista. Escancarada. E feminina.
Porque a nossa, foi a maior paixão do mundo.
Porque você me deu coragens inacreditáveis.
Porque você me ensinou que “eu te amo” é coisa séria.
Porque enquanto todos me acham meiga, você me ama sabendo a verdade.
Porque permanecemos de mãos dadas nas crises.
Porque sobrevivemos como casal a dois pós-partos.
Porque às vezes somos completamente iguais. Facilita.
Porque às vezes somos absolutamente diferentes. Ainda bem.
Porque você entende o humor do dia olhando nos meus olhos.
Porque com você, construí minha vida.
Porque tudo que eu mais amo no mundo, é nosso.
Porque você apoia meus sonhos.
Porque sonhamos juntos.
Porque você compra minhas brigas.
Porque te admiro demais.
Porque você é a pessoa mais inteligente que eu conheço.
Porque você faz melhor risoto byriani que existe.
Porque aceitamos nossas manias.
Porque rimos das piadas do outro.
Porque estamos envelhecendo juntos.
Porque tem rotina. Porque tem silêncio. Porque tem briga. Porque é real.
Até que a morte nos separe não é condição hormonal. É a minha escolha. Livre. Escancarada. E feminina. Te amo.

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(Foto: Shirly Glikas)

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