CRÔNICA: Ensaio sobre a rotina

Amélia era moça direita, assim bem bela
Prestimosa, fazia as tarefas e até bolo de canela
Elegante, estudiosa e polida era ela
Moça direita, prometida a Paulo Nozella
Este sim, o sonho de qualquer donzela
Sua mãe sentia grande orgulho dela, sua bela Amélia

Até que Amélia, esta bela e jovem donzela
Curiosa sobre a vida ao redor dela
Cansada de cerzir flanela
E de rimas banais sobre ela
Resolveu fugir de casa

Na primeira esquina, conheceu Carlão
Jovem assim, sem classe e sem rima
Barba mal feita e bafo de cerveja
Homem sem estudo, homem do mundo
E ela se apaixonou

Esta vida de desregrada aventura
Cheia de gente impulsiva e sem ternura
Encantou a jovem Amélia
Que conheceu da maconha à pamonha
Do pompoarismo ao populismo
Da balada GLS às moças sem catequese

Até que um dia, Amélia acordou vazia
Carlão dormia ao lado, chapado de ácido
E a novidade já não a divertia
Ela tinha saudade da vida que tinha
Concluiu que rima por rima, ficava com a rima antiga
E que licença poética repetida é pleonasmo na poesia

E assim Amélia voltou pra casa dela
Casou com o Nozella e usou lingerie amarela
Fazia pudim de Nutella e bolo de moela
E se não viveu feliz para sempre, viveu feliz com a vida dela.

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