ACONTECEU COMIGO: É, publicito

Era dia de assinalar a opção e eu ainda não havia decidido. Publicidade, arquitetura ou psicologia? Não sei, não sei. Uni-duni-tê o escolhido foi você. Publicidade e Propaganda. Foi assim que, naquele segundo semestre de noventa e sete, escolhi minha profissão, após um ano transitando entre áreas tão diversas como arqueologia e odontologia (atrapalhou o fato de eu quase ter desmaiado ao assistir um tratamento de canal), terapia ocupacional e administração de empresas. E até hoje eu não tinha entendido por que – raios – após passar no vestibular, não abandonara aquela faculdade cuja profissão eu soube desde o início que jamais exerceria, uma vez que alguém em sã consciência definitivamente não trabalharia em agências de publicidade. Talvez pudesse ter sido o deslumbramento com a liberdade de quem havia passado todo o período escolar em colégios ultra conservadores, onde o cabelo não deveria estar solto e as meias tinham que ser brancas. Agora, o bar em frente à faculdade recepcionava a qualquer hora do dia, as festas universitárias eram incríveis, as substâncias ilícitas estavam ao alcance de quem quisesse e as laricas eram resolvidas estando ao lado da melhor padaria da cidade. Ou talvez fossem as aulas que passaram a substituir o currículo escolar: filosofia, sociologia, psicologia e o marketing, que fez meus olhos brilharem. Até poderia ter sido o encantamento com o trabalho de conclusão do primeiro semestre em Semiótica: – Façam o que quiserem. – Hã? – O trabalho final é livre. Criem. – Mas é oral ou escrito? – Se seu grupo quiser se atirar da janela da faculdade, este pode ser o trabalho final. – … Hoje, muitos anos, algumas rugas e diversas profissões depois, eu entendi que o uni-duni-tê levou meu dedo para o melhor lugar possível. Acompanhando a trajetória de alguns amigos daquele tempo, foram poucos os que seguiram a profissão ao pé da letra. Tem artistas, fotógrafo, músico, assessora de casamento, empresários, escritoras, produtores e claro, publicitários. O que nos uniu, foi a criatividade latente. E o que aqueles anos ensinaram, é que há mundo incrível acontecendo fora da caixa. Faltava apenas coragem para abrir a tampa.

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