INSPIRAÇÃO: A história de milagres e lições de uma verdadeira artista da vida real

(Por: Nurit Masijah Gil)

Costumam dizer que conhecemos nossa verdadeira força nas adversidades. E foi nelas que Elza Kososki aprendeu lições, protagonizou milagres e arregaçou as mangas para vencer barreiras.
Profissional da área de vendas, ela diz que é uma artista em seu trabalho. Mas logo vocês entenderão que a arte dela é muito, muito maior.

(Fonte: Arquivo pessoal)

(Fonte: Arquivo pessoal)

SUA FILHA MAIS VELHA CHEGOU DE UMA MANEIRA MUITO ESPECIAL. PODERIA NOS CONTAR ESTA HISTÓRIA?

Depois de seis anos de casada e cansada de correr atrás de especialistas para conseguir engravidar, meu marido deu um basta na tentativa de termos um bebê. Fiquei frustrada demais, mas me conformei pensando que não era a vontade de Deus que fossemos pais.
Três meses depois, era domingo pela manhã quando um casal bateu em nosso apartamento com um bebê coberto por uma manta rosa. Ao abrir a porta, fiquei assustada, mas imediatamente soube o que seria.
Pedi que sentassem e corri para avisar meu marido. Eles nos contaram que aquela criança havia sido abandonada no hospital e logo abracei o bebê. Ao descobrir o rostinho coberto com a manta enxerguei os olhos azuis mais lindos que já tinha visto. Era uma menina encantadora, com cabelos ruivos. A minha Maria Carolina havia chegado de maneira imprevista e jamais imaginada. Foi o melhor presente que já ganhei em toda a minha vida.
Depois, naturalmente, vieram Felipe e Maria Fernanda. Minha família ficou completa.
Quando o Felipe chegou, a Carol já estava com dois anos e meio. Ela esperava eu amamentá-lo e depois vinha, deitava no meu colo e mamava. Isso aconteceu por três meses e serviu para nos tornar incrivelmente unidas.

VOCÊ É SOBREVIVENTE DE UM GRANDE ACIDENTE AÉREO. O QUE MUDOU NA SUA FORMA DE ENCARAR A VIDA APÓS ESTE EPISÓDIO?

Fomos morara no Sul do Pará em 1986. Foram quatro anos de muito aprendizado: clima, cultura, hábitos… Tudo diferente. A Carol tinha um ano quando nos mudamos e o Felipe nasceu lá.
Para ajudar financeiramente, ia para Manaus, na época “Zona Franca” e trazia eletrônicos para revender. E numa destas viagens, sofri o acidente.

Elza

(No dia 3 de setembro de 1989 um avião Boeing 737 da Varig realizava essa rota quando, por um erro de navegação cometido pela tripulação, três horas após a decolagem e já sem combustível, executou um trágico pouso forçado sobre uma região de selva localizada 60 quilômetros ao norte de São José do Xingu, Mato Grosso. Para os 48 passageiros e seis tripulantes, o desastre do RG 254 transformou-se num drama que se iniciou na noite de domingo, quando o avião caiu na selva, para só terminar na madrugada de quarta-feira seguinte – quando teve início a operação de resgate.
No acidente, 12 passageiros morreram. Todos os 42 sobreviventes sofreram ferimentos).

Eu tinha 32 anos e fiz várias descobertas. A primeira foi entender o quando Deus nos ama e a partir daí, meu modo de encarar a vida mudou radicalmente, minhas prioridades passaram a ser outras. Penso que deixei de ser preconceituosa em relação às pessoas e entendi que o sofrimento ao nosso redor precisa ser observado e, se possível, acolhido. Quando compartilhamos nossas dores e alegrias entendemos a dinâmica de viver e podemos realmente amar o próximo, não esquecendo que o próximo é aquele que está ao seu alcance.

VOCÊ PROTAGONIZOU UMA HISTÓRIA INCRÍVEL SOBRE COMO REALMENTE É POSSÍVEL AJUDAR

Ficamos na mata por três dias e uma das sobreviventes, a Regina, estava ajudando os feridos, além da busca por água. Eu estava muito machucada e não podia me locomover. Mas Regina estava com Ariadne, sua filha ainda bebê e com a queda do avião ela, que estava amamentando, acabou ficando sem leite. A criança chorava muito.
Pedi então para cuidar de Ariadne e para tentar acalmá-la, ofereci meu seio. Ela imediatamente começou a puxar muito. Chegou a doer, mas Ariadne se acalmou e passou grande do tempo mamando. Não havia leite: havia amor e a vontade de cuidar daquele bebê.

E AS PROVAÇÕES CONTINUARAM…

(Foto logo após o acidente. Fonte: Arquivo pessoal)

(Foto logo após o acidente. Fonte: Arquivo pessoal)

Após me recuperar fisicamente (realizei uma cirurgia de coluna pois havia uma miiase provocada por um mini escalpo na cabeça) e psicologicamente, veio a vontade, juntamente com meu marido, de retornarmos para casa, no Sul.
Voltamos para Coronel Vivida (PR), onde estavam meus pais. Não imaginava que, a partir daí, viveria grandes provações, desta vez financeiras. Considero que o acidente contribuiu para o fortalecimento na fé que nos permitiu enfrentar as dificuldades.
Quando chegamos, montei uma confecção com minhas irmãs. Para ilustrar, tínhamos lá um grande berço de família com rodinhas. Ali, a Fernanda e meus sobrinhos permaneciam para que pudéssemos trabalhar. Fabricávamos roupas maravilhosas e em poucos anos conquistamos o mercado de varejo em todo Brasil.
Mas então meu pai faleceu e a situação financeira da minha família ficou muito ruim. Não sabíamos, mas ele estava literalmente quebrado. Além de perder tudo ficamos com muitas dívidas e a confecção – que na época era a galinha dos ovos de ouro – quebrou. Neste caso fui movida pela emoção, não pela razão e misturei as coisas, usando o dinheiro da confecção para resolver os problema e dívidas deixados.

Mas ainda tinha a experiência adquirida na área de vendas. Através de um amigo querido, fui apresentada a um empresário de uma cidade vizinha e abracei um projeto de colocar uma nova marca no mercado de lingerie, novamente conquistei o mercado. Em 2008, conheci o diretor da Darling Confecções e lá trabalho até hoje, além de ser proprietária de uma loja de lingerie, a Muito Intima.
Mais mudanças foram necessárias. Fomos para Curitiba, minha terra Natal, a fim de melhor poder me locomover e facilitar minhas viagens pelo Brasil. Mas amo o que faço. Vender é uma arte e considero que neste quesito, sou uma artista.

Hoje tenho dois netos e um terceiro a caminho. Considero-me uma mulher vencedora.

(Com os netos. Fonte: Arquivo pessoal)

(Com os netos. Fonte: Arquivo pessoal)

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