INSPIRAÇÃO: Não precisamos esperar que algo chegue ao limite para mudar nossas vidas

(Por: Nurit Masijah Gil)

Sempre contestadora, ávida por respostas e sem tolerar injustiças, Patricia Wagman sabia, desde o início da adolescência, que seria advogada. A inclinação para o Direito Criminal também estava diretamente ligada aos valores por ele tutelados: vida, liberdade e honra.

Depois de estagiar em dois escritórios da área civil, comecou em 1995 a trabalhar em um escritório de renome na área penal. Neste ramo os escritórios são pequenos, altamente especializados e personalizados. À época, a estrutura era de três sócios e três estagiários. E ali, encontrou-se. Tinha contato direto com os sócios – com quem aprendia diariamente – fazia acompanhamento processual nos fóruns,  nas delegacias, e nos Tribunais, redigia todo tipo de petição, participava das reuniões com os clientes, audiências, e depoimentos em delegacia.

(Fonte: Arquivo pessoal)

(Fonte: Arquivo pessoal)

No final de 1997, passados dois anos e meio da contratação, formada e aprovada no exame da OAB, conquistou sua primeira vitoria profissional como o único caso de efetivação na história do escritório até aquele momento, para doze anos e muita dedicação depois, tornar-se advogada associada, com completa autonomia e responsabilidade, tocando paralelamente mais de uma centena de casos.

 

Até que a Patricia advogada ganhou outro papel especial: o de mãe.

(Fonte: Arquivo pessoal)

(Fonte: Arquivo pessoal)

Na época, achou que não conseguiria ficar quatro meses afastada do trabalho, mas, para sua surpresa, ficou. E cinco. Foram meses de total e exclusiva dedicação ao filho e em que até pensou em parar de trabalhar, o que, para sua sorte, não fez: durante sua licença, ela e o marido separaram-se e foi o fato de ter um ofício que amava e uma rotina de trabalho, que a permitiu manter-se lúcida e forte para o filho. “Foi difícil equilibrar tudo, mas a verdade é que o fato de estar trabalhando me ajudou a não pirar”.

 

E ela jamais imaginava-se fora do escritório. “Outro dia, revendo um trabalho que fiz há três anos me deparei com a seguinte pergunta ‘Onde você se vê daqui há 5 anos?’ e respondi ‘No mesmo local” .

Mas as coisas mudaram em pouco tempo.

Há três anos, em razão de diversos acontecimentos negativos, iniciou, interna e inconscientemente, um processo de transformação e preparação para sua saída do escritório. Quando deixou de admirar a pessoa com quem trabalhava, não via mais razão para continuar. Mas, racionalmente, prevalecia a insegurança em sair da zona de conforto e recomeçar sozinha, sem garantia financeira.

Divorciada e com um filho pequeno, segurou o ímpeto acreditando que as coisas iriam mudar. Mas após uma discussão com o sócio e amigo, em outubro de 2014, criou coragem e deu seu grito de liberdade.

“Do dia para a noite minha vida mudou: não tinha emprego, não tinha um parceiro para segurar as pontas, tinha quase quarenta anos e um filho de oito. Estava assustada, pois o escritório sempre tinha sido meu porto seguro, e insegura quanto ao futuro – não só profissional, mas também financeiro”. Só que ao mesmo tempo, tinha uma sensação de alívio, uma admiração pela coragem de virar a mesa e muita vontade de recomeçar.

Três dias depois da saída, juntamente a outra advogada recém egressa do mesmo local, que optou por acompanha-la nesse novo desafio, recomeçou, agora com seu escritório.

“O lado positivo disso tudo é que agora trabalharei arduamente para mim mesma e não mais para terceiros. Não ficarei mais à sombra de um nome conhecido, pois tenho a oportunidade de fazer meu próprio”. Os contras, ela acredita estarem relacionados à questões práticas, pois tem que, ao mesmo tempo, prospectar cliente, trabalhar, garantindo a excelência do serviço prestado, e administrar a empresa.

A verdade é que Patricia ficou acomodada por muitos anos e hoje arrepende-se. “Aprendi que não podemos nos esconder atrás dos nossos medos para manter uma situação que, aparentemente, nos traz segurança. Não precisamos esperar que algo chegue no nosso limite para tomarmos uma decisão que mudará nossas vidas”.

(Fonte: Arquivo pessoal)

(Fonte: Arquivo pessoal)

“Afirmo por experiência, sempre há o lado bom ainda que no momento não consigamos enxerga-lo. Todas as escolhas que fiz, certas ou erradas, me trouxeram até aqui. Sou realizada com minha trajetória.”

E os frutos, longe de serem somente financeiros, ela já começou a colher.

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