INSPIRAÇÃO: “O que a memória ama fica eterno”

(Por: Nurit Masijah Gil)

A primeira impressão, entre feição e palavras, é a de uma mulher doce. Mas aos poucos, fica fácil constatar que acima de qualquer característica, ela é dona de uma força imensurável, estampada na sinceridade e transformação de quem viveu a dor mais temida por qualquer pessoa que conheça o amor.

Claudia Petlik é mãe de Anna Laura, Arthur e Felipe. Anna, Claudia ama à distância.

(Fonte: Arquivo pessoal)

(Fonte: Arquivo pessoal)

Após um acidente doméstico ocorrido em maio de 2012, quando Anna tinha três anos de idade, ela e o marido Rudi, na busca por forças para continuar e desejando encontrar algum sentido na perda, seguiram numa viagem – já anteriormente planejada – a Israel. O carinho dos familiares que vivem lá e a mística do lugar, eles sabiam, só poderiam ajudar. E foi neste contexto religioso que encontraram motivação para tocar um projeto cheio de amor. Segundo o judaísmo, religião do casal, ações positivas em nome da pessoa que faleceu ajudam a elevar sua alma. Nascia assim, o Anna Laura Parques Para Todos (ALPAPATO).

 

Os parques, inspirados num projeto semelhante que conheceram no país, foram desenvolvidos para integrar. Seus espaços são repletos de recursos lúdicos pensados para que crianças com necessidades especiais possam brincar de forma segura e junto às demais, possibilitando a troca ao compartilharem as mesmas experiências, a mesma alegria. Através deles, Claudia e Rudi promovem a acessibilidade social e sedimentam o caminho que conduz a uma sociedade sem preconceitos.

(Fonte: annalaura.org.br)

(Fonte: annalaura.org.br)

(Fonte: annalaura.org.br)

(Fonte: annalaura.org.br)

Três parques já estão prontos e os próximos estão em planejamento e definição de locais.

(Fonte: Arquivo pessoal)

(Fonte: Arquivo pessoal)

Os projetos em nome de Anna são vividos juntos pelo casal (além dos parques, estão construindo uma biblioteca num centro de convivência árabe-judaico em Israel e planejando uma ONG que ajude pais que perderam seus filhos e não têm condições de pagar pelo tratamento), mas Claudia ressalta a importância de tudo que ajudou a elaborar seu luto de mãe. Falar sobre Anna, discorrer sobre morte, amor, saudade, vazio, sobre a maior dor de todas, mas especialmente, quebrar o estigma do silêncio que existe em torno de crianças que partiram. Claudia gosta de contar a história da sua menina. “Falar e escrever ajudam a ressignificar um vínculo rompido, a organizar e entender o sentido das coisas. Cada um encontra sua forma e tempo para isso, mas sempre digo que dor compartilhada é dor diminuída. Falar é libertador”. Ela entendeu que, não tendo mais como manifestar seu amor físico e de cuidados como mãe, precisava aprender a amar sem toque. “É uma forma diferente, mas ainda é amor. O que a memória ama fica eterno”.

Anna Laura é a filha mais velha de Claudia e Rudi. Quem tem filhos sabe como esta chegada transforma ao iniciar uma família e uma vida cheia de alegria e descobertas. Em sua breve passagem, Anna preencheu seus pais com amor incondicional. Agora, em nome dela, eles transformam através do amor.

(Fonte: Arquivo pessoal. Desenho de Patricia Vitali)

(Fonte: Arquivo pessoal. Desenho de Patricia Vitali)

Quer ajudar a viabilizar o parques na sua cidade? Eles são financiados pelo casal e o objetivo é que sejam construídos quatro ao ano em lugares onde haja demanda de locais acessíveis de lazer abertos ao público, somado a apoiadores que viabilizem sua manutenção. Para saber mais e entrar em contato, acesse: http://annalaura.org.br.

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