CRÔNICA: Overdose

Ela beijou na boca pela primeira vez aos quinze anos. Foi um pulo para o sexo sem preservativo.
Sempre gostou de comer a massa de bolo que sobrava na batedeira. Daí tamanha compulsão por comida.
Abominava as regras da moda. A porta de entrada para a rebeldia que marcava sua presença.
Teve um passarinho chamado Tinoco na infância. Aquela gaiola foi o início da sua claustrofobia.
A primavera lhe dava rinite. Compreensível sua preferência por preto.
Era intelectual e gostava de música sertaneja. Sempre acharam que era bipolar.
Adorava croissant com manteiga. O motivo para a escolha de Paris para estudar arquitetura.
Fez cesárea. Já contei que deixava o filho com a babá?
Foi entusiasta do capitalismo e seus desdobramentos. Flertava com a extrema direita.
A despeito de toda a sua geração, seus pais tinham um relacionamento estável. A origem da necessidade de questionar o status quo.
Chorava em público. Por isso fazia teatro.
Fumava maconha. E morreu de overdose.
Mas não me olhem assim. Estou apenas contando o que dizem.

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