ACONTECEU COMIGO: Tira as mãos da minha coxa porque eu quero passar

#Repost

(Ou sobre atitudes patéticas em pleno século vinte e um)

Mulherzinha ou mulherão.
Feminismo estereotipado, daquele em que mulheres falam grosso e lutam por igualdade num mercado de trabalho masculinizado e que desconsidera sensibilidade não me agrada, se é que ainda existe. Contundência é uma característica, assim como espontaneidade, doçura, intuição e tantas outras que possuímos ou adquirimos ao longo da vida.

Sou vaidosa, pinto as unhas de vermelho, falo baixo e meu biotipo é frágil. Já cuidei dos meus filhos por anos em período integral e ainda hoje, não agendo qualquer compromisso que não encaixe-se à rotina deles. Asso bolos, cuido do meu marido, não banco minha casa financeiramente. Mas sou feminista.

Depois das mulheres – palmas – berrarem para conseguir um lugar ao sol e de tantos papéis serem embaralhados, percebemos que o tal estereótipo pode não caber na agenda da vida real. E finalmente, que feminismo possível é empoderamento pessoal. Só que não bastasse o caminho que percorre-se para atingi-lo, existem ainda obstáculos de um modelo que, de tão embolorado, deveria estar em desuso.

Patético do homem que usa de qualquer posição superior para tocar onde não deve. Pobre de espírito dos que não escutam nossa verdadeira voz. Infeliz dos que acreditam no machismo inabalável. E se, assim como eu, você aguarda a próxima encarnação para aprender a berrar e normalmente resume-se a chorar, chore. Atitude libertária não passa necessariamente por saber dar um tapa na cara, mas por ter coragem para sermos quem quisermos. Apesar da mão na sua coxa, apesar do cala a boca.

Se nos falta força para encarar a grosseria, isso não nos faz mais fracas. Força mesmo é não ficarmos escondida sob esta sombra. Já chorou? Enxuga as lágrimas e corre atrás da sua existência, seja ela qual for: como executiva de multinacional ou como mãe em tempo integral. Vivenciando-a com desejo, você será a maior das feministas. Empoderando-nos estamos livres para seguir o caminho que escolhermos.

Esqueça a figura de mulher forte que berra, mas papel secundário não é opção. Nem mulherão, nem mulherzinha. E se não conseguir berrar quando alguém que esqueceu de virar o século colocar a mão na sua coxa sem permissão, pede licença e levanta. Apenas assim, enquanto ele embolora, poderemos ser protagonistas da nossa história.

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