CRÔNICA: SOBRE FELICIDADE

Boa noite.
Bom trabalho.
Me dá um beijo.
Quer meu casaco?
Tem bolo no forno.
Preparei um chá.
Deixa comigo.
Cheguei mais cedo.
Te espero acordado.
Bom dia.
Eu te esquento.
Pra você.
Não via a hora de te dizer.
Faz cócegas.
Divido o meu.
Está na mesa.
É amanhã.
Me avisa quando chegar.
Preparei seu preferido.
Qualquer coisa me chama.
Estou com saudade.
Sonhei com você.
Vamos juntos.
Mais que o infinito.
Te amo.
Dormiu bem?

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CRONICA: Viva Lourdes

Perla acordava doce. Cabelo engrenhado, olhos tentando recusar o sol que insistia em brilhar. Um leve mau-humor não era suficiente para abafar o ar pueril. Perla acordava verdadeira. Cheiros verdadeiros, olheiras verdadeiras, corpo verdadeiro. Perla, doce.

Maria estava sempre apressada. O mau-humor da manhã era responsável pelo atraso habitual. Engolia um suco pronto de laranja e equilibrava, entre pastas de trabalho e tablet, o pão com geléia que comeria no caminho. Maria não tinha tempo. Tinha o trabalho, a conta de luz que precisaria pagar na volta, a geral no armário de panelas. Maria precisava voar.

Patricia era eficiente. Metódica, eficaz, cabelo liso, sombra cinza, gloss avermelhado. Digitava, tabulava, colocava a palavra certa em cada sentença. Sorria quando deveria sorrir. Falava quando precisava falar. Apoiava os óculos metodicamente sobre a mesa. Eficiente, perfeita, Patricia.

Lourdes era visceral. Tirava o desconfortável soutien já no carro. Ouvia jazz no máximo volume. Acendia um cigarro, abria um vinho. Respirava fundo. Sentia. Era. Existia. A sombra borrada e o cheiro de perfume misturado a desodorante e suor faziam dela essência. Era ela entre o que fora e o que estava por vir. Viva Lourdes.

Noeli era correta. Pijama, Ave-Maria, novela, saladinha. Cheiro de sabonete. Deitava na cama, tomava a vitamina D, ajeitava a placa nos dentes. Tentava relaxar os pensamentos, torcia por sono ininterrupto. Sonhava. Era quase hora de ceder a vez.
Perla estava por vir.

CRÔNICA: Camembert verde e amarelo

#Repost

A partir de hoje, sou francesa. Não quero que meus filhos façam manha e pretendo terminar as refeições com queijos.
Antes de entrar na maternidade, olhava para aquelas crianças berrando no supermercado por causa de um iogurte ou jogando queijo ralado no suco de laranja em pleno restaurante, diante de pais condescendentes com olheiras e pensava: “Ah, quando eu for mãe…”.
Pronto. Sou mãe. E para a surpresa das minhas convicções, meus filhos já protagonizaram caos em supermercados, jogaram farinha no chá gelado, enquanto eu – que sim educo, imponho limites e criei as ‘regras da casa by Super Nanny’ – estimulava:
– Isso, joga um pouquinho mais de farinha e depois ainda tem o sal. Daqui a pouco eu acabo de almoçar e podemos sair correndo.
Já me flagrei pensando em qual momento meus planos foram por água abaixo e finalmente, um sucesso editorial me trouxe a resposta: é tudo culpa da educação brasileira. Portanto, além de termos em nossa herança cultural a caipiroska de seriguela, somos exageradamente protetoras e entramos no mundo de nossos filhos ao invés de trazê-los ao nosso. Exótico.
Acabou o xixi? Peraí que estou indo arrumar sua cueca
Não gosta de tomate? Eu te faço macarrão com bifinho.
Quer brincar de princesa? Vamos lá.
Lutar como monstro? Vou te pegar!
Descalço não, aqui estão a meia e o sapato. Dá o pezinho.
Quer fazer uma tatuagem de canetinha na minha mão? Pequena, tá?
Programação do final de semana? Quatro festas infantis.
Vamos comer fora? Naquele restaurante com recreação e batata frita.
Acontece que, além do papel de super mãe, também gosto de sentar no sofá, com os pés para cima e os olhos fechados, adoro comida indiana e filmes não indicados para menores de doze anos. Só que com um detalhe: sem culpa.
Desta forma e com a solução para o equilíbrio pronta, simples e debaixo do meu nariz, resolvi adotar a técnica:
– Mãe…
– Oui
– O que tem de sobremesa
– Camembert
– Ah, não pode ser danoninho?
– No
– Por favor….
– Está bem vai, é petit suisse. Traz que eu te dou na boca

CRÔNICA: Tempero à parte

#Repost

Cada pessoa utiliza seu método peculiar de relaxamento. Não vou criticar os adeptos do Rivotril sublingual afinal, eu mesma utilizo métodos pouco ortodoxos para deixar os pensamentos em slow motion – depois de abandonar anos de vida fumante, não abro mão da boa e velha dose etílica noturna. Mas acho interessante observar as formas mais criativas que cada um encontra para separar as obrigações do lazer.
Tem que mateie. Sim, verbo: eu mateio, tu mateias, ele toma chimarrão. Há os que espantam o stress levantando centenas de quilos em troca de suor e músculos. Tem quem leia ou escreva. Os que vão ao cinema e escolhem o filme (prática que desconheço há anos). Já ouvi falar de gente que só com sexo recreativo. Quem faça compras, escova, massagem. E os que utilizam métodos ainda menos ortodoxos que os meus.
Certa feita (desculpem, sempre quis começar uma frase assim), conheci uma moça que precisava sair do trabalho e apaixonar-se antes de voltar da casa. Pois é, batia o cartão e passava a buscar uma paixão. Lembro da noite em que apaixonou-se por uma escritora baiana, em plena sessão de de autógrafos na livraria da Alameda Santos. Entrou, pediu uma dedicatória, leu o livro inteirinho, voltou para casa, cozinhou com azeite de dendê e foi dormir. Às vezes, tinha que dar explicações ao marido:
– Onde estava até esta hora?
– Procurando uma paixão.
Vícios são vícios e ele a aceitava como sempre fora, apesar de certa frustração. Ela já tinha se apaixonado por tulipas holandesas, café gourmet do serrado, mostra de cinema russo e pasta americana para cupcakes. Uma vez, saímos para colocar o papo em dia após o trabalho. A certa altura, eu já bocejava e cogitava pedir a conta, mas ela ainda estava aflita: sem paixão, não tinha como relaxar. Releu o cardápio, buscou algo nas mesas ao lado. Nada. Saímos para uma volta no quarteirão. Uma companhia de teatro alternativa fazia uma performance no farol. Olhei entusiasmada para minha amiga: sem calafrios. Na esquina, o lançamento de um empreendimento imobiliário. ‘Quer parar?’. ‘Os sinos não tocaram’. Desistimos. Ela voltou para casa, já pronta para passar a noite em claro, com os pensamentos a mil. Mas neste dia, o marido a esperava na sala. Seu coração disparou de alegria e alívio: estava apaixonada, incrivelmente seduzida.
– Precisamos conversar.
Ela, louca por ele, escutou a história. Ele, por um viés da vida, conheceu uma escritora. Baiana. E estava apaixonado. Ela ofereceu cozinhar tapioca. Não era isso. Com acarajé e dendê. Não era fugaz. E ele partiu.
Já faz alguns anos isso. Ela buscou tratamento, recuperou-se de seu irônico destino e hoje não corre mais riscos. Sai do trabalho e segue direto para casa. Cozinha, assiste a novela e antes de dormir, um relaxante sublingual. Sem café do serrado, cinema russo ou dendê. Para que a vida siga como deve ser.

CRÔNICA: Cada coisa em seu lugar

#repost

Foi só entrarem no carro:
– Você notou?
– Notei o que?
– Francisco, você me chamou onze vezes durante o aniversário. “Rose, o Rafa caiu”, “Rose, o Rafa quer fazer xixi”, “Rose, o Rafa pegou o brigadeiro do chão”. Custava ter interrompido sua conversa com os outros homens e me ajudado? É sempre assim.
– Rose, eu mal te chamei. Você passou a festa inteira pronta para qualquer intercorrência.
– Claro, que outra alternativa eu tenho?
– Como assim?
– Passo a vida cuidando, não tenho mais tempo algum para mim. Quando estou ausente, o mundo desaba.
– Ah é? Pois vamos ver.
Francisco – indignado, ferido, receoso, em pânico – sugeriu que ela fizesse um longo programa no sábado seguinte “Se o problema é esse, saia, sem medo de ser feliz”.
Rose – aliviada, desafiadora, receosa, em pânico – acenou concordando.
Mesmo com o pesar de utilizar o filho como cobaia para a aplicação prática do instinto paterno de Francisco, Rose agendou, pé, mão, corte, luzes, massagem, máscara facial, almoço, chá da tarde, cinema, happy hour, sarau. Divertiu-se de forma inusitada e voltou para casa levemente bêbada, cantarolando a música da borboletinha.
Ao colocar a chave na porta, inspirou, antecipando o triunfo. Três, dois, um. Silêncio. Como ninguém vinha recebê-la, entrou a procura da família. Almofadas no chão e poltronas do avesso anunciavam a tragédia.
– Olá?
– Oi amor – Francisco apareceu com Rafa no colo, corado e sorridente.
Uma onda de alívio percorreu seu corpo. Sobreviveram.
– Como foi?
– Tudo tranquilo. Pedimos pizza, brincamos…
E Francisco descreveu um dia comum. Sem loucuras extraordinárias, apesar de estarem descabelados. Sem nutrientes, apesar de estarem rechonchudos. Sem agasalho, apesar da temperatura de outono. De fato Rose surpreendeu-se com o sucesso da operação. Independente da falta de ordem, da sopinha de legumes e da roupa apropriada, lá estavam eles. Bem. Felizes. Exaustos. Sorridentes. Independentes. Finalmente ela poderia seguir adiante, sem ser essencial para o funcionamento do lar. Finalmente! Ahã. Ótimo. Tá. E agora?
– Ah, Francisco! Fraldas abertas no lixo da pia? Francamente. Entende o que eu vivo dizendo?

CRÔNICA: Anitor

#repost

– O Maurício anda me cobrando. Eu chego exausta em casa. Falem sério, quantas vezes por semana na casa de vocês?
– Três.
– Du… Três.
– U… Três.
– Três.
– Eu faço até em cima do lustre!
Boquiabertas, todas admiram a amiga ninfomaníaca.
– Serio Ana? Quantos anos de casada?
– Dez.
Pensam pedir um autógrafo, mas Ana continua…
– Entre outras coisas.
Frenesi.
– Verdade?
– Ahã.
– Que outras coisas?
– De tudo um pouco. Gente, se não fazemos em casa, o marido procura fora.
– Por mim, fique à vontade.
– Ai, Clarice!
– Mas falando sério… Como é, Ana?
– Garçom, traz outro espumante, por favor?
Ana era uma referência. Moderna e vanguardista desde os tempos em que todas eram solteiras. Mas depois de dez anos, em cima do lustre? Mauro devia ser um homem muito feliz, todas tinham certeza.
—-
– Mauro, hoje é terça…
– Claro… Ana, estou para te sugerir algo há tempos.
– Fala…
– Um dia bem que podíamos tentar a cama…
– E cair na rotina?
– Mas deve ser mais confortável. Imagina que delicia, sábado à noite, na cama?
– Sábado? Cama?
– Está certo. Te encontro no horário de sempre?
– Sim, às dez, em cima do lustre. Pode deixar que eu levo todas as coisas.

CRÔNICA: Sempre

E foram felizes para sempre. Depois de perceberem aliviados que tudo saiu conforme o Pinterest. Depois de darem um selinho ao por-do-sol. Depois de entrarem num carro com teto retrátil. Depois de posarem para mais fotos. Depois de passarem por um túnel de bolinhas de sabão. Depois de comerem bem-casados. Depois dela jogar o buque. Depois de fingir por duas vezes que não jogaria. Depois de dançarem com enfeites comprados na Vinte e Cinco de Março. Depois de tirarem fotos com plaquinhas. Depois de dançarem sertanejo universitário. Depois de tocar ‘Abra suas asas’, do Lulu Santos. Depois do techno. Que foi depois da dance Music. Depois de terem subido ao palco para agradecer a presença de todos. Depois de comerem a sobremesa. Depois do prato principal. Depois das saladas. Que foi servida depois da valsa. Depois do vídeo de melhores momentos. Depois dos canapés. Depois de assinarem a papelada. Depois de cumprimentarem o juíz do cartório. Depois de posarem para fotos. Depois de saírem da igreja. Depois de cumprimentarem a família. Depois de beijarem-se. Depois da prédica do padre. Depois do noivo chorar. Depois da noiva entrar. Depois do cortejo desfilar. Depois de uma briga por um lugar supostamente roubado na primeira fila. Depois do pai da noiva chorar. Depois da noiva limpar a lágrima ao colocar o arranjo na cabeça. Depois da massagem regada a espumante do Dia da Noiva. Depois de postarem #chegouograndedia. Depois dela receber flores. Depois de ter emagrecido de ansiedade. Depois de pedirem um empréstimo para bancar os extras que não foram computados no orçamento. Depois de brigar com a sogra por causa do arranjo no altar. Depois de ter saído de uma festa e comentado com o noivo que “aquela festa estava cheia de clichês”. Depois de buscarem o convite na calígrafa. Depois de decidirem a arte do Save the Date. Depois de ter postado no Instagram. Depois dela ter dito “sim, mil vezes sim”. Depois dele ter perguntado se ela lhe concederia a honra de passar o resto da vida ao lado dele. Depois dele ter ajoelhado-se. Depois de ter escolhido um anel para pagar em doze vezes sem juros. Depois que ele percebeu que era hora. Era uma vez.

CRÔNICA: O esteriótipo está apertado. Tem um número maior?

Carlos usa barba longa, brincos de argola, tem trinta e oito tatuagens e prefere jaquetas de couro. Em seu carro, um grande adesivo escancara “rock’n roll forever”, mas ele prefere mesmo dirigir sua moto, potente, sonho de consumo que alimentou por anos. É fã de Metallica e, como sempre teve ouvido musical, aprendeu a tocar baixo sozinho, aos treze anos. Frequenta bares às quintas e costuma pedir cerveja gourmet.
Nas horas vagas, faz tortas sob encomenda.

Carlos tem mãos fortes, importantes para sovar a massa, e paladar apurado. A mãe, exímia cozinheira, o introduziu no universo de aromas culinários e, provavelmente por isso, seu ambiente preferido da casa sempre foi a cozinha. É um alquimista. E nutre uma paixão especial por tortas. Mistura sabores inusitados e perfuma toda a vizinhança. Limão com papoula, amêndoas com laranja e – sua especialidade – maçã com canela e creme de baunilha são algumas das suas famosas delícias.
Às quintas-feiras, toca baixo em uma banda de rock.

Fernanda teve dois filhos e decidiu que seria uma mãe presente. Deixou seu cargo como gerente em uma multinacional e lançou um blog de maternidade. Registra as pinturas, os bolos e as caretas que faz com as crianças. Prepara refeições conforme a cartilha de sua geração – tudo orgânico, sem glúten, com farinha integral e chia. Impõe limites, acompanha os temas de casa, sabe de cor e salteado os centímetros, os kilos e o número de calçado de cada membro de sua família.
Três vezes por semana, frequentava casas de swing com o marido.

Fernanda sempre foi questionadora. Os padrões de comportamento vigentes não lhe pertenciam, bradava ela. Durante a juventude, cedeu a todas suas curiosidades. Até conhecer Maurício. Com ele, sentiu vontade de acomodar-se, alugar um apartamento, comprar um cachorro e comer cereais matinais na varanda. Durou pouco. Amavam-se, mas sabiam que seriam felizes apenas até que a monotonia da rotina os separasse. Eram voyers, pouco possessivos e parceiros de descobertas. Desde que descobriram as casas de swing vivem empolgados. Já decidiram que, se a relação voltar a cair na rotina, sairão atrás de novidades.
Ela apenas não gosta de voltar tarde para casa. Tem dois filhos e gosta de acordar cedo com eles.

Madame Jacquelyn é famosa por suas aulas de etiqueta. Seu cabelo, impecavelmente construído à base de bobes e laque, resistiria intacto a uma madrugada de Carnaval na avenida, coisa que – evidentemente – ela jamais cogitou frequentar. Suas mãos macias, com unhas sempre bem feitas, demonstram com sutileza aos alunos a posição ideal da faca de peixe e da taça de vinho rose. Em ocasiões especiais prefere espumante Brut e jamais consideraria servir um jantar que não fosse finalizado com madeleines.
E ela adora passar trotes telefônicos.

Madam Jacquelyn já pensou em frequentar a terapia. Mas, pensa ela, são tão pouco os prazeres da vida nesta sociedade hipócrita, que resolveu aceitar seu vício. Acorda e antes de colocar pepinos nos olhos, pega o telefone e disca um número aleatório. Faz piadas de gosto duvidoso, fala palavrões e gargalha. Sente um prazer inexplicável, talvez próximo ao êxtase. Ela só acha uma pena o advento da bina, que já lhe gerou alguns desconfortos. Enfim, poucas pessoas tem seu senso apurado de humor. A filha, por exemplo, que a considera louca.
Apenas para de gargalhar histericamente entre as quinze e as dezoito, quando ministra cursos de etiqueta em sua Maison.

CRÔNICA: Se eu não quiser

Jogar Candy Crush. Louvar instablogger. Usar hashtag. Cortar o glúten. Contar calorias. Comentar sobre roupa. Pintar de rosa. Ler auto-ajuda. Ficar bronzeada. Cortar os vícios. Gostar do que todos gostam. Experimentar looping. Ler o manual. Falar de novela. Relatar o parto. Colocar silicone. Aceitar amizade. Esconder um segredo. Fazer as pazes. Desculpar antes de digerir. Falar mais alto. Arrumar a papelada. Escrever ao pé da letra. Atualizar a versão. Ser muito fofa. Ser muito grossa. Usar farinha integral. Trocar o fluido do motor. Pagar para ver. Seguir conselhos. Pensar com calma. Segurar a ansiedade. Caber no esteriótipo. Ligar mais tarde. Diminuir a cafeína. Chorar em público. Substituir a pimenta. Fazer para agradar. Alisar os cabelos. Matar barata. Parecer frágil. Guardar para mim. Responder na hora.

Então, serei eu. Quem esconde-se em você?

CRÔNICA: Overdose

Ela beijou na boca pela primeira vez aos quinze anos. Foi um pulo para o sexo sem preservativo.
Sempre gostou de comer a massa de bolo que sobrava na batedeira. Daí tamanha compulsão por comida.
Abominava as regras da moda. A porta de entrada para a rebeldia que marcava sua presença.
Teve um passarinho chamado Tinoco na infância. Aquela gaiola foi o início da sua claustrofobia.
A primavera lhe dava rinite. Compreensível sua preferência por preto.
Era intelectual e gostava de música sertaneja. Sempre acharam que era bipolar.
Adorava croissant com manteiga. O motivo para a escolha de Paris para estudar arquitetura.
Fez cesárea. Já contei que deixava o filho com a babá?
Foi entusiasta do capitalismo e seus desdobramentos. Flertava com a extrema direita.
A despeito de toda a sua geração, seus pais tinham um relacionamento estável. A origem da necessidade de questionar o status quo.
Chorava em público. Por isso fazia teatro.
Fumava maconha. E morreu de overdose.
Mas não me olhem assim. Estou apenas contando o que dizem.